Por que minha mente não desliga mesmo quando estou descansando?
O paradoxo do descanso na alta performance
Bernardo de Castro
1/26/20261 min read


O paradoxo do descanso na alta performance
Você já se deitou exausto após um dia longo, o corpo pesado, mas a mente parecia ter acabado de tomar um expresso duplo? Ou tentou tirar um fim de semana de folga e sentiu mais ansiedade e culpa do que relaxamento? Esse fenômeno é comum em adultos de alta responsabilidade e reflete o que chamamos na psicologia de hipervigilância ou arousal cognitivo persistente.
Para muitos profissionais, o "modo fazer" (focado em metas e resolução de problemas) tornou-se o único modo de funcionamento. O "modo ser" (focado na experiência presente e relaxamento) foi atrofiado. Segundo o modelo cognitivo de Aaron Beck, pai da TCC, nossa ansiedade é ativada quando percebemos uma ameaça. Para o perfeccionista, a "ameaça" não é um leão na selva, mas a possibilidade de falhar, esquecer algo ou ser improdutivo.
O ciclo da preocupação produtiva
Robert Leahy, autoridade em ansiedade, descreve que muitas pessoas mantêm crenças positivas sobre a preocupação. Inconscientemente, você pode acreditar que "se eu me preocupar, estarei preparado" ou "se eu relaxar, algo ruim vai acontecer". Assim, o descanso é interpretado pelo cérebro como vulnerabilidade.
O resultado é que, mesmo no sofá, sua mente continua escaneando o futuro em busca de perigos hipotéticos ("E se der errado?", "E se eu esqueci aquele e-mail?").
Estratégias baseadas em evidências:
Tempo de Preocupação: Reserve 20 minutos do dia para se preocupar deliberadamente. Fora desse horário, anote a preocupação e adie.
Desengajamento Ativo: O descanso precisa ser treinado. Técnicas de Mindfulness (Atenção Plena) ajudam a notar o pensamento intrusivo sem "comprar" a ideia dele.
Higiene do Sono e Controle de Estímulos: O cérebro precisa de rituais de desaceleração que sinalizem segurança, não apenas ausência de trabalho.
Se desligar parece impossível, a TCC pode ajudar a reestruturar essas crenças sobre produtividade e valor pessoal.
Referência: Leahy, R. L. (2005). The Worry Cure: Seven Steps to Stop Worry from Stopping You.
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