Medo de errar: como a paralisia da decisão afeta profissionais competentes
Tomar decisões faz parte da vida adulta. Mas, para alguns, escolher entre A ou B se torna um tormento
Bernardo de Castro
1/26/20261 min read


Tomar decisões faz parte da vida adulta. Mas, para alguns, escolher entre A ou B se torna um tormento de ruminação, insônia e procrastinação. Chamamos isso de Analysis Paralysis (Paralisia por Análise).
Por que profissionais tão competentes travam em decisões simples? Geralmente, o que está por trás é o perfeccionismo desadaptativo. O perfeccionista opera sob a crença rígida de que "preciso fazer a escolha perfeita" e que "qualquer erro será catastrófico e irreversível".
A intolerância à incerteza
Na TCC, identificamos que a raiz dessa paralisia é a Intolerância à Incerteza. Você busca garantias absolutas de que o resultado será positivo antes de agir. Como a vida não oferece garantias, você trava. A ruminação ("E se eu for por aqui? Mas e se for por ali?") é uma tentativa improdutiva de controlar o incontrolável.
Além disso, a procrastinação aqui não é preguiça, é evitação de desconforto emocional. Ao não decidir, você evita momentaneamente a ansiedade do possível erro, mas aumenta a ansiedade a longo prazo.
A virada de chave
O trabalho terapêutico foca em:
- Flexibilização Cognitiva: Aceitar o conceito de "suficientemente bom" em vez de perfeito.
- Exposição ao Risco: Pequenos experimentos comportamentais onde tomamos decisões rápidas para testar se as consequências catastróficas realmente acontecem.
- Confiança na Resolução: Focar na sua capacidade de lidar com problemas se eles surgirem, em vez de tentar prevenir todos os problemas antecipadamente.
Referência: Dugas, M. J., & Robichaud, M. (2007). Cognitive-Behavioral Treatment for Generalized Anxiety Disorder: From Science to Practice.
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